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04/04/2004 20:33
OBS: esse post foi reeditado dia 09/04/04, tendo em vista os comentários de Thiago Leite


Inicio com este post meu projeto de escrever comentários sobre o livro "Assim Falou Zaratustra". Por enquanto, estou me limitando a transcrever as anotações que fiz durante a leitura do livro; se possível mais tarde farei reflexões mais longas sobre o assunto. Como um aperitivo, deixo as anotações sobre os dois primeiros discursos do primeiro capítulo.

As três transformações:

O espírito se transforma em camelo na medida em que ele se carrega de coisas pesadas, isto é, busca o sofrimento e regozija-se com ele, em nome da razão e da verdade. O camelo seria o modelo do cristão que se humilha e oferece a outra face, sentindo a alegria na dor, pois a dor expia seus pecados. Entretanto, alguns camelos não suportam tanto sofrimento e revoltam-se transformando-se em leão. O leão renega o sofrimento e abnegação do camelo e quer libertar-se da escravidão em que vivia. Para isso, é necessário destruir os valores pré-estabelecidos criados pelo “Tu deves”. O leão representa o “Eu quero”; embora ele não possa criar outros valores, ele cria a liberdade para que surja a criança. A criança representa o esquecimento da moral pré-estabelecida e o novo começo; e só ela pode criar sua própria moral.

Da cátedra da Virtude

Esse discurso não passa de uma grande ironia. No fundo, toda a sabedoria, virtude, alegria ou obediência não passam de garantias de um bom sono. Nietzsche ironiza os sábios: eles não vivem, apenas dormem! Assim, abdicar de sua vontade de poder é abdicar da própria vida, é dormir, o meio-termo de Aristóteles no fundo nos conduz a passar a vida sem vivê-la, como se tivéssemos gastado todo o nosso tempo dormindo.

enviada por fastasma na neblina






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